terça-feira, 10 de julho de 2012

Público enfrenta noite gelada para acompanhar abertura do CineOP


Público enfrenta noite gelada para acompanhar abertura do CineOP 

Dois dos homenageados, os irmãos Reginaldo e Roberto Farias, criticaram as políticas públicas para o audiovisual no país


Leo Lara/Universo Produção

"O cinema corre em 100% do nosso sangue”. A afirmação é do ator e diretor Reginaldo Faria, de 75 anos, um dos homenageados da Mostra de Ouro Preto (CineOP). Ele foi levado ao cinema pelas mãos do irmão, o diretor Roberto Farias, de 80 anos, outra personalidade agraciada pelo festival. “Reginaldo é meu irmão querido, meu amigo, meu ator. Ele é meu ator desde os oito anos de idade. Eu mandava ele chorar, ele chorava. Eu mandava ele rir, ele ria”, revelou Roberto durante a cerimônia de abertura, realizada na noite dessa quarta-feira, no tradicional Cine Vila Rica, único cinema da cidade histórica.


O público enfrentou um frio de 12 graus para lotar a sessão. Depois da homenagem foi exibido o clássicoPra frente Brasil  (1982), dirigido por Roberto Farias e com Reginaldo Faria no elenco. Aliás, a grande estrela do CineOP é mesmo o passado. O cinema patrimônio é a principal temática do festival desde sua criação, em 2006. Para Roberto Farias, a preservação deve ser encarada com mais seriedade no Brasil, “muitos dos meus filmes já foram restaurados e há cópias deles espalhadas em bibliotecas e cinematecas pelo país. Mas é preciso olhar com mais cuidado para a memória cinematográfica”, disse o diretor de filmes como Roberto Carlos em ritmo de aventura, O assalto ao trem pagador Cidadeameaçada. Estes dois últimos serão exibidos durante a mostra.
O filme O carteiro, que marca a volta de Reginaldo Faria à direção depois de 27 anos, também está na programação. O cineasta afirma que demorou todo esse tempo por causa das dificuldades que o cinema brasileiro atravessou, principalmente na Era Collor, quando a Embrafilme foi extinta. Mas mesmo com as atuais políticas de incentivo, Reginaldo ainda tem saudade dos anos 60, 70 e 80. “Antes era mais fácil. Existia um fundo que te protegia. Hoje a gente depende das leis de incentivo e também da boa vontade dos empresários”, desabafa.
70 filmes serão exibidos na Praça Tiradentes, no Centro de Convenções da Ufop e no Cine Vila Rica até o dia 25 de junho. Toda a programação é gratuita.
Veja o trailer do clássico O assalto ao trem pagador, de 1962, um dos destaques do CineOP:





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